Autorregulação Respiratória

A autorregulação é quando nosso cérebro aprende a controlar e regular pensamentos e emoções que nos moldam (positivamente ou negativamente), para alcançar resultados de acordo com nossos objetivos. Uma das formas de autorregulagem é através do controle da respiração.

O cérebro, objeto de estudo da neurociência, é responsável pelas emoções, memória e cognição. Ele tem uma característica chamada neuroplasticidade, ou seja, tem uma capacidade de se modelar conforme a percepção de vida, das situações vividas, de como recebemos, processamos e reagimos às informações, criando uma adaptação neural entre estímulos externos e internos.

O estudo sobre o sistema nervoso e suas funcionalidades é bastante complexo e, apesar dos avanços nas pesquisas, ainda surpreende toda humanidade com as descobertas e seus mistérios, pois é responsável por coordenar todas as atividades do nosso corpo, tanto voluntariamente como involuntariamente.

O Sistema Nervoso Central (SNC) é constituído de medula, encéfalo (tronco encefálico, cérebro e cerebelo) e Sistema Nervoso Periférico (SNP) que são os nervos espinhais e cranianos, assim como o Sistema Nervoso Autônomo (SNA). A comunicação do SNC e SNP se dá através da medula e os neurônios são as células funcionais que fazem sinapses gerando o impulso nervoso.

O SNA é a parte do Sistema Nervoso Periférico responsável por regular as funções neurovegetativas cujo controle é involuntário: sistema respiratório, cardiovascular, renal, digestório e endócrino. Este sistema inerva diversos órgãos, glândulas, vasos sanguíneos, músculos liso e cardíaco.

Uma particularidade do SNA é que age em conjunto com o sistema endócrino, no controle, coordenação e sincronização da atividade visceral e desempenha como papel principal manter a homeostase (equilíbrio corporal) a cada momento diante de diferentes situações e desafios ambientais.

Sistema Nervoso Simpático (SNS)

Os gânglios do SNS saem da coluna entre a última vértebra cervical e a segunda lombar. Este sistema inerva todas as vísceras do corpo e prepara o organismo para “lutar ou fugir”.

Sistema Nervoso Parassimpático (SNP)

O SNP emerge ao nível do crânio e do sacro. A porção craniana origina-se a partir de quatro pares de nervos: 1) Nervo Oculomotor; 2) Nervo Facial; 3) Nervo Glossofaríngeo; 4) Nervo Vago.

A porção sacral emerge de S2 a S4 e inerva útero, ovários, bexiga, uretra, testículos, porção final do intestino grosso e genitais externos.

Este sistema tem o efeito inverso do sistema simpático, ele age no sentido do relaxamento corporal

Importância do Nervo Vago

Surpreendente, 90% do nervo vago é sensorial, ou seja, leva informações sensitivas das vísceras para serem interpretadas no cérebro. Ele capta informações viscerais e transmite para o tronco cerebral médio e depois para o tálamo, onde serão organizadas e distribuídas para o córtex cerebral.

Em um de seus artigos científicos publicados na revista “Nature”, Kevin Tracey, mostra que a ativação das fibras aferentes do nervo vago, gera respostas anti-inflamatórias, através do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, sendo utilizada para o tratamento de dor crônica e de patologias, como a artrite reumatoide. Tracey sugere uma “inibição da resposta inflamatória” e melhora da resposta imunológica à lista de efeitos parassimpáticos do nervo vago.

Como modular a respiração?

Quando o SNS é acionado numa situação de estresse e ansiedade, há um desconforto na região do tórax e contração excessiva dos músculos faciais e do pescoço pelo aumento da frequência cardíaca. O padrão respiratório predominante é apical.

Neste caso, é interessante modular uma respiração diafragmática levando o ar para a cavidade abdominal durante a inspiração e exalar o ar pela boca liberando a articulação têmpora-mandibular. É interessante este tipo de respiração para ativar a resposta vagal, importante analgésico natural. Em conjunto é possível modular também por exercícios de alongamento e massagem dos músculos da região da coluna cervical e ombro, além de estímulo para posicionamento visual (o olhar deve acompanhar o sentido do movimento).

Em contrapartida, observa-se numa situação de prostração, cansaço e depressão uma ativação do SNP, sendo necessário modular uma respiração costal levando o ar para a cavidade torácica, estimulando a mobilidade dos músculos intercostais (como por exemplo, elevar os braços durante a inspiração) e exalar o ar pela boca estimulando uma expiração prolongada através da ativação dos músculos abdominais. Outro tipo, é a respiração ritmada, a qual estimula o aumento do fluxo respiratório provocando uma hiperventilação, ou seja, um aumento do volume de oxigênio.

Estados emocionais prolongados alteram a mecânica respiratória e desorganizam a postura corporal como forma de se adaptar uma vez que o sistema nervoso é plástico. Além disso, a liberação hormonal e estas reações físicas podem provocar dores inexplicáveis por todo o corpo, e até mesmo doenças. Em outras palavras, o corpo responde às emoções, consciente ou inconscientemente. E, através da respiração, o primeiro e o último ato da vida, é possível controlar seus estados mentais e modular seus pensamentos.

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Vanessa Freire

Mestre em Ciência da Motricidade Humana, personal Trainer e terapeuta holística, Vanessa Freire é Coach pela Sociedade Internacional do Mindset e especialista em neurociência, na qual desenvolve estudos sobre a conexão entre corpo e mente no intuito de ajudar as pessoas no caminho do autoconhecimento, da autoestima e de atrair para si os melhores resultados em todos os aspectos da vida.

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Post Author: Vanessa Freire

Mestre em Ciência da Motricidade Humana, personal Trainer e terapeuta holística, Vanessa Freire é Coach pela Sociedade Internacional do Mindset e especialista em neurociência, na qual desenvolve estudos sobre a conexão entre corpo e mente no intuito de ajudar as pessoas no caminho do autoconhecimento, da autoestima e de atrair para si os melhores resultados em todos os aspectos da vida.

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