Um pouco mais de (C)Alma

Existe algo mais encantador do que ser criança? Elas dizem coisas tão afetuosas, repetem o tempo todo aquilo que ouvem (e o que não ouvem, também!). Cobrem você de beijos e abraços, querem tanto agradar, chamar a atenção dos adultos de todo o jeito possível. Observar suas descobertas e avanços é sempre um prazer.

E também… existe algo tão exasperador quanto as crianças? Elas derramam suco de uva no seu tapete branco novinho, contam em alto e bom som os segredos de família na casa do amigo da escola, querem que você recite, com a empolgação da primeira vez, a mesma história várias vezes, isso sem falar da verdadeira luta que se trava à noite, para vestir o pijama e escovar os dentes.

Criar filhos requer inúmeras habilidades. Pais se vêm interpretando o papel de professores, instrutores, amigos, médicos, psicólogos, secretários, motoristas… tudo isso sem entrevista e sem currículo. E têm a difícil tarefa de discernir quando começa ou termina cada uma dessas atribuições, enquanto realizam milhares de outras coisas. Haja malabarismo!

É sabido que o comportamento dos pais influencia enormemente o resultado do amadurecimento emocional dos filhos, podendo ou não se tornar seres humanos mais produtivos e gentis. Nesse complexo processo de educar, existe uma virtude que lhe permitirá ser vitorioso: a paciência. Esse exercício tem por excelência permitir aos pais que suportem o choro manipulador de uma criança por horas a fio, ou ouvir pela milionésima vez que você está devendo um presente inventadamente prometido, ou não reagir desmedidamente quando seu filho adolescente chega em casa com um piercing no nariz, um alargador no lóbulo da orelha e o cabelo roxo, chamando-lhe por Paulo ou Rebeca, em vez de “pai” e “mãe”.

“O amor é paciente e gentil”, já disse o apóstolo São Paulo, na primeira carta aos Coríntios. O dom da espera pode abrir caminhos para as relações – talvez não imediatamente, mas no futuro. O nosso imediatismo é sedento pelo “agora”, pelo “quero”, pelo “já” e pelo “hoje”, mas quando se trata de educar, precisamos considerar o “depois”, o “mais adiante”, o “em breve”, o “logo logo”, o “um dia quem sabe”. E sem exercitar a paciência, fica impossível colocar esses conceitos em pauta. Pais e filhos passam a vida se envolvendo em lutas constantes e monólogos sem fim, mas a paciência nos permite parar no meio dessa batalha, entre independência e segurança, para avaliar qual é a melhor atitude a ser tomada antes de agir. E esperar o tempo do outro, também, nem sempre alinhado ao nosso.

O mundo precisa de pausa e nossos filhos estão pedindo para sermos mais pacientes, menos exigentes, mais amigos e menos críticos nessa linda e fascinante jornada da vida, que, às vezes, não está sendo nada fascinante ou linda, nas suas vivências diárias. Você já parou para escutar o que eles vêm tentando dizer? Ser paciente consigo e com o outro cria uma liga que mantém o amor unido e que suaviza as arestas e rusgas, melhorando as chances do bom diálogo entre pais e filhos.

Por outro lado, se você não tiver a paciência para tal… aquilo que fica não-dito pode prejudicar a relação e o desenvolvimento. E aquilo dito sem pausa pode magoar, ferir, marcar.

Comprometemo-nos a utilizar uma comunicação positiva e paciente, sem atacar nem criticar os pensamentos de nossos filhos. Demonstremos respeito e cortesia, ouçamos suas ideias até o fim, respeitando que, naquele momento, aquela é a opinião dele, e tudo bem, por agora. Ela pode mudar. Mas deixe-o compartilhar, experimentar esse lugar de Um Ser Pensante. Como Romeu e Julieta, muitas das vezes ele só está avaliando sua reação, e quanto menos paciente você for, maior será o rebote.

Ante as diferenças, a paciência é um diferencial, que ameniza nossa irritação com as frustrações e expectativas, é um jeito de praticar a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro e reconhecer seus sentimentos para, então, acolhê-los. Está tudo bem temer um pouquinho aquilo que habita outra mente, mas com paciência você será convidado a descobrir e explorar este outro Universo. Filhos aprendem pelos nossos exemplos, mas os jovens podem ter as respostas certas, com atitudes erradas. Admirá-los com um pouco mais de degustação nos permite ver nossos filhos como realmente são, em vez de uma extensão de nós mesmos, com todas as suas características, defeitos, sonhos, problemas e pontos de vista peculiares. Para capturar a foto do beija-flor, criatividade, açúcar e um tantinho de espera. A natureza humana também requer uma doçura e um amadurecimento de tempo. Quem já nasceu pronto que atire a primeira pedra!

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Alessia Castro

Coach com ênfase em emagrecimento e Master Coach com especialização em Programação Neurolínguistica (PNL), certificada pela Sociedade Internacional do Mindset. Enfermeira da Saúde Mental, cuja história de vida favoreceu um olhar empático e afiado acerca da natureza humana, promove abordagens holísticas e práticas integrativas na sua metodologia. Promove acolhimento a crianças em risco desenvolvimental, realiza orientação às suas famílias e garante seu direcionamento, transmutando seu aprendizado em Coaching para despertar o potencial pessoal, de acordo com cada realidade.

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Post Author: Alessia Castro

Coach com ênfase em emagrecimento e Master Coach com especialização em Programação Neurolínguistica (PNL), certificada pela Sociedade Internacional do Mindset. Enfermeira da Saúde Mental, cuja história de vida favoreceu um olhar empático e afiado acerca da natureza humana, promove abordagens holísticas e práticas integrativas na sua metodologia. Promove acolhimento a crianças em risco desenvolvimental, realiza orientação às suas famílias e garante seu direcionamento, transmutando seu aprendizado em Coaching para despertar o potencial pessoal, de acordo com cada realidade.

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