Pare! Escute! Então, Siga!

Estávamos em setembro, mês que carrega consigo o renascimento e a renovação da primavera, estação na qual a natureza se abre para o novo, para a reprodução, a vida e suas cores em evidência.

            O setembro foi escolhido como inspiração, portanto, para falarmos sobre a prevenção do suicídio em nossa sociedade. Segundo Marcella Vieira, editora Fiocruz, o suicídio é considerado uma questão de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde, acarretando cerca de 800 mil mortes anuais.

            Neste momento particularmente difícil, em que a covid19 trouxe mudanças significativas à nossa rotina, é esperado que nos sintamos, até certo ponto, estressados, amedrontados, ansiosos, solitários ou tristes. Aquilo que já nos assombrava antes – o que quer que fosse – agora está maior e pior, devido ao isolamento social, à recessão econômica e ao medo de contrair a doença ou ter entes queridos infectados. Essa avalanche de sentimentos negativos precisa ser reconhecida e validada, pois pode evoluir no sentido contrário à estação da primavera, tornando-se o gatilho de um transtorno psicológico extremamente impactante: a depressão!

            Ela não se restringe a um grupo específico, a pessoa deprimida pode ser uma criança, um adolescente, um adulto, homem ou mulher, um idoso. Ter depressão traz mudanças marcantes nos hábitos e no humor, perda do interesse por atividades que antes eram prazerosas, da motivação, descuido com a aparência e com a higiene, perda de sono, adoecimento frequente, discurso sobre desejo de desaparecer, sumir ou morrer, autoagressão ou mutilação, entre outros sintomas.

            Muitos pais e mães estão em confinamento social com filhos deprimidos sem perceber esta situação, pois ela pode ser silenciosa, discreta. Pai e mãe podem fazer toda a diferença  nesse momento, desde que não estejam, eles mesmos, adoecidos. Ao modular um Sinal Amarelo (“Atenção!”), pessoas-chave podem evitar que a situação involua para um Sinal Vermelho (“Pare”) sem retorno. Psicólogos e psiquiatras afirmam que evitar o assunto não previne o suicídio, pois estabelece um tabu sem jamais atingir as causas desta situação.

            Seu papel é estar atento ao isolamento (além do necessário ao nosso bem-estar durante a pandemia), estabelecer diálogos produtivos e livres de julgamento, de forma empática e sem pressa, educar a partir do exemplo, estimular a busca pelo autoconhecimento, estabelecer limites não pela simples imposição mas pela análise de cada situação, evitar a bronca “vazia” e aprender a ouvir. Este movimento no lar necessita de um alicerce sólido, baseado em políticas públicas que fortaleçam a saúde mental das famílias, para que a prevenção de suicídios, ou mortes por desespero, seja concreta.

            Acredito que a principal medida preventiva é a educação, que deve instrumentalizar as famílias a lidar com essa situação, promover acesso a recursos de prevenção, a informações, a profissionais da saúde, para que elas se organizem para lidar com esta demanda no contexto do lar.
Por isso, queridos pais, fiquem atentos a quaisquer mudança de humor e de comportamento de seus filhos dentro de casa . Saber as principais causas e as formas de ajudar pode ser o primeiro passo para reduzir as taxas de suicídio no Brasil e ver seu filho crescer. Essa é a diferença que o pai faz.

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Alessia Castro

Coach com ênfase em emagrecimento e Master Coach com especialização em Programação Neurolínguistica (PNL), certificada pela Sociedade Internacional do Mindset. Enfermeira da Saúde Mental, cuja história de vida favoreceu um olhar empático e afiado acerca da natureza humana, promove abordagens holísticas e práticas integrativas na sua metodologia. Promove acolhimento a crianças em risco desenvolvimental, realiza orientação às suas famílias e garante seu direcionamento, transmutando seu aprendizado em Coaching para despertar o potencial pessoal, de acordo com cada realidade.

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Post Author: Alessia Castro

Coach com ênfase em emagrecimento e Master Coach com especialização em Programação Neurolínguistica (PNL), certificada pela Sociedade Internacional do Mindset. Enfermeira da Saúde Mental, cuja história de vida favoreceu um olhar empático e afiado acerca da natureza humana, promove abordagens holísticas e práticas integrativas na sua metodologia. Promove acolhimento a crianças em risco desenvolvimental, realiza orientação às suas famílias e garante seu direcionamento, transmutando seu aprendizado em Coaching para despertar o potencial pessoal, de acordo com cada realidade.

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