Causas emocionais da obesidade

Flávio Gikovate em seu livro “Deixar de Ser Gordo” diz que é importante compreender melhor determinados processos emocionais que, com grande frequência, estão relacionados ao início da obesidade.

O amor é o desejo de se construir uma relação a dois; é capaz de nos passar uma sensação de paz, aconchego e proteção. Capaz de nos fazer voltar a uma condição uterina, em total harmonia com a mãe.

A primeira grande experiência traumática do ser humano é o nascimento. Nascer significa se sentir desamparado, não ter mais o aconchego como a necessidade vital de proteção. Sem os cuidados da mãe, a criança morre. A mãe representa a proteção, logo sua ausência representa o pânico e o desespero.

O que o bebê deseja desde o início é ficar em seu colo sendo alimentado. A criança precisa da mãe e também a ama, pois experimenta uma grande satisfação em estar fisicamente junto dela.

Primeiramente, existem dois tipos de prazer: o amoroso, do aconchego e da harmonia; e o sexual, referente à excitação.

O prazer que o bebê sente em relação à mãe está ligado à função alimentar, logo à questão afetuosa, carinhosa. O desespero e o desamparo da criança que se percebe sozinha se atenuam e se acalmam quando a mãe a pega no colo e começa o processo de amamentação.

O estômago cheio representa o oposto do desamparo (essa sensação dolorosa e vívida como “um buraco no estômago”). Se a criança se sente segura com a mãe, este “buraco” não será muito intenso e ela irá se alimentar normalmente. Quando sentem um desamparo maior, poderão sentir esse “buraco” muito maior e tentarão preenchê-lo consumindo quantidades maiores de alimento. O oposto nos tirará o apetite extra.

O grau de sofrimento e de insatisfação gerado pelo desamparo de ter nascido é variável em cada bebê, uns requerendo muita proteção e outros passando quase todo o primeiro ano de vida apenas dormindo. Do ponto de vista da alimentação, serão críticos todos os períodos da vida em que possamos experimentar alterações do nosso equilíbrio amoroso.

Com a idade de sete anos, a criança vive outra crise de crescimento: o menino é obrigado a se desligar da mãe. Para os meninos isso é mais doloroso do que para as meninas que se desligam mais cedo da mãe e se ligam ao pai. As meninas sentem a hostilidade materna enquanto que os meninos sentem a paterna.

Devido à nossa sociedade patriarcal, os meninos são empurrados na direção de uma maior autonomia nesta idade. A independência é desejada pela criança por um lado e muito assustadora, por outro lado, pois provoca o vazio ligado ao desamparo. Os meninos que não elaborarem bem a resolução dos dilemas dessa fase vão sentir mais o desamparo e sua consequência usual será a bulimia.

Já a puberdade se apresenta sendo uma das fases mais conturbadas da nossa vivência emocional. Aqui se introduzem os elementos da sexualidade que modificam completamente nossa maneira de ser, tanto física como espiritualmente.

No período dos sete anos até a puberdade, aumenta a importância do Eu e de uma busca crescente pela independência. Na puberdade, isso é quebrado. Surgem de novo os anseios, desta vez, românticos: o apego a um objeto amoroso; alguém que será o substituto emocional da mãe ou do pai. O desequilíbrio emocional é enorme nesse período para todos os adolescentes. A maioria não engorda, exceto algumas moças, e muitos gordos tendem a emagrecer. Medo e a vaidade, devido ao jogo erótico que se inicia, são importantes fatores de pressão no sentido de aumentar a força de vontade e levar as pessoas a emagrecer.

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Welodimer Neustadter

Master Coach certificado pela Sociedade Internacional do Mindset. Formação em psicologia e sociologia. Curso de especialização em Hipnose clínica. Trabalha há 31 anos ajudando as pessoas a se transformarem e melhorarem a sua qualidade de vida. Atuando principalmente na área de comportamentos compulsivos: Alcoolismo, tabagismo e compulsão alimentar.

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