NÃO ESPERE UMA SEGUNDA CHANCE

Neste artigo, senti vontade de compartilhar com vocês um pouco da história do meu pai. Ele que se formou, logo passou em concurso público e foi servidor federal por quase 40 anos. Um homem muito íntegro, honesto, de bom coração, que soube aproveitar bem a vida. Adorava viajar! Dizia sempre que o dinheiro que ganhamos devíamos investir em viagens. E nessa parte super concordo, adoro viajar também. Mas ele também fez seus investimentos em terrenos e imóveis. 

Como chefe da família, ele cuidava de todas as contas da casa e também fazia supermercado. Minha mãe não precisava se preocupar com nada, a parte dela ficava em cuidar de minha irmã e eu. 

Meu pai sempre gostou muito de ler, adorava os jornais e revistas. Era muito inteligente e ativo; jogou vôlei por muitos anos como um hobby, mas também caminhava e fazia musculação. Além de tudo isso, era muito calmo, aquela pessoa sem estresse. Para ele tudo estava bom, pois era muito positivo, olhava sempre para o lado bom de tudo. 

Jamais passaria pela sua cabeça, ou pela nossa que tudo isso iria mudar da água para o vinho. 

Em 2014, veio o diagnóstico. Meu pai estava com a doença de Parkinson. Eu como fisioterapeuta, já havia tratado de vários pacientes com essa patologia, sabia que não iria ser fácil e que infelizmente era algo que não tinha cura e que a progressão aconteceria, só não sabia se iria ser lenta ou rápida. 

Dispomos para ele tudo que era possível de tratamento: medicamentoso, terapias… Tudo para evitar ao máximo a progressão rápida da doença. 

E assim os anos foram se passando. Não sei se foi coincidência ou se realmente a questão da pandemia, do isolamento social, da mudança de rotina que influenciaram no aumento das incapacidades e limitações. Acredito que sim, mas hoje a verdadeira face da doença está se mostrando. 

Aquele homem independente, cheio de vida, não existe mais. Seu semblante é de apatia, um olhar perdido, sem expressão. As palavras lhe faltam, embolam dentro da boca, as frases não são completadas, as conversas não têm mais sentido. 

Ele não sabe mais que dia é hoje, não sabe se é noite ou dia. Às vezes ele acorda do seu cochilo da tarde, se arruma todo, e acha que vai trabalhar, ou que tem um casamento para ir, ou que vai encontrar com os amigos. 

Fica indignado por não poder mais dirigir. Não aceita, não compreende, acha que estamos o impedindo. Chega até a falar que o médico não sabe de nada, pois não permitiu que ele renovasse sua habilitação. 

Suas pernas não respondem mais e estamos sempre aflitas com a próxima queda. Sim, infelizmente, já foram várias. Os passos são curtos e cambaleantes, desequilibrados. Minha mãe não tem mais nem um minuto de sossego, hoje ela tem que estar com ele 24 horas por dia, ajudando-o nas atividades básicas da vida diária.  

E diante de tudo isso, fico imaginando o que será que passa na cabeça dele, como será que ele se sente, será que ele se sente impotente e incapaz? Talvez, nunca saberemos. 

Mas qual a razão de trazer essa história para vocês? Para lembrá-los que a vida é uma só, e que todos os dias recebemos mais uma chance de fazermos a diferença, de sermos melhores. Talvez você esteja adiando alguma mudança, uma decisão, deixando sempre para amanhã; Entretanto, pode ser que esse amanhã nunca chegue. Na verdade, o amanhã não existe, somente podemos viver o hoje.  

Talvez você pense que está super bem, que é saudável, que tem muito tempo para viver ainda. Mas na verdade nenhuma certeza temos. Podemos ser arrebatados por uma doença, por um acidente e ficarmos inutilizados, ou talvez chegue nossa hora antes do imaginado. Então, encerro aqui deixando uma pergunta: se sua hora chegasse hoje você estaria com a consciência tranquila que fez o que tinha de fazer até agora ou você pediria uma 2ª chance?

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Luana Monteiro

Coach pela Sociedade Internacional do Mindset, graduada em Fisioterapia pela Unifor, pós graduada em Osteopatia Clínica pela Unicastelo e formação em Reeducação postural global – Rpg reposturarse. O seu trabalho tem como objetivo ajudar as pessoas a desenvolverem o seu Mindset, ressignificando crenças e acreditando em si, e a buscarem hábitos mais saudáveis focando na promoção da saúde.

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