Empatia: muito se fala, pouco se usa

Estamos todos no mesmo barco? Não, não estamos! Arrisco dizer que se estivéssemos, uns estariam de coletes salva-vidas e outros até esperando para pular pro bote ao lado. É muito fácil criticar alguém que esteja sofrendo. Apontar o erro para o outro, botar o dedo na ferida, quando não sentimos a dor que ela sente. Empatia não é para todos. Uns entendem ou tentam entender, mas nunca saberão o verdadeiro sentimento da pessoa que passa pela situação. Ouço por todo lado a frase: “faz parte”. Mas o que faz parte? O que seria esse “fazer parte”? Por que sofrer tem que fazer parte do contexto da vida? E se tem, por que não é possível amenizar isso de alguma forma? Talvez se as pessoas ajudassem umas às outras. Talvez se houvesse mais empatia, se colocando no lugar do outro. Só um pouco.

Quando alguém chega pra você e desabafa, diz que está com algum problema, não é pra você contar uma história triste sua, ou do seu vizinho. Não é pra dizer que é normal e “faz parte”. Isso não consola ninguém. Muito pelo contrário. Isso faz com que a pessoa se sinta mais diminuída ainda. É como se você não se importasse com aquela situação. “Ah, fulano está passando pelo mesmo problema, você vai superar” ou “eu já passei por isso, não mata ninguém, não me matou”. Isso não é consolar, é afundar a pessoa na própria fraqueza dela. É esfregar na cara dela que o problema é fútil, é pequeno, é banal, porque afinal, qualquer um pode superar, por que ela não supera, né? Pois é minha gente, às vezes a pessoa só quer ser ouvida. Às vezes, ela só quer um abraço, um “eu te entendo, tô aqui, conte comigo”. Só de você estar por perto, presente, já conforta. Não julgue e nem banalize o sofrimento alheio. Tenha empatia. A frase da moda com essa pandemia é que “estamos todos no mesmo barco”, mas na verdade, uns estão em iates, outros em navios de cruzeiro, outros em Canoas, outros em botes furados e quem sabe até afundando rapidamente, e por aí vai. Talvez estejamos na mesma tempestade, porém uns mais protegidos que outros e há quem nem será atingido.

“Ter empatia é encontrar eco dos outros dentro de si mesmo”.

“Poderia haver maior milagre do que olharmos com os olhos do outro por um instante”. ( Henry David Thoreau). Eu ousaria completar essa frase dizendo que, melhor seria se além de olhar com os olhos do outro, também pudéssemos sentir com o coração alheio.

The following two tabs change content below.

Fabiane Eise

Fabiane Eise. Coach pela Sociedade Internacional do Mindset, Personal Trainner especialista em emagrecimento e em ajudar pessoas a atingir os seus objetivos pessoais e profissionais. Frase que adora: “É impossível ter um corpo forte se sua mente é fraca. Jogue fora tudo que é desnecessário. A SUA MENTE É SEU GUIA”.

Latest posts by Fabiane Eise (see all)

Post Author: Fabiane Eise

Fabiane Eise. Coach pela Sociedade Internacional do Mindset, Personal Trainner especialista em emagrecimento e em ajudar pessoas a atingir os seus objetivos pessoais e profissionais. Frase que adora: “É impossível ter um corpo forte se sua mente é fraca. Jogue fora tudo que é desnecessário. A SUA MENTE É SEU GUIA”.

4 thoughts on “Empatia: muito se fala, pouco se usa

    Isabela Loureiro Trindade

    (16 de outubro de 2020 - 12:30 pm)

    Muito bom minha amiga! “Amigo estou aqui…” Bem melhor assim. Beijossss

    Dayana Andrade Vieira

    (16 de outubro de 2020 - 4:48 am)

    Parabéns, Fabiane!
    Acredito que a demanda humana por psicólogos, terapeutas entre outros eapecialistas da mente vem aumentando exponencialmente nos últimos anos. Embora pareça um pouco contraditória tal afirmação, em meio a uma sociedade tecnológica e informatizada como a que vivemos, onde há tantos espaços virtuais de interação e expressão (diga-se de passagem, quase sempre superficiais por só mostrarem recortes de melhores momentos), o que se percebe é uma crescente necessidade de relações mais reais.
    Muitas pessoas apenas precisam ser ouvidas, abraçadas enxergar no outro um olhar de importância e compreensão para o que estão enfrentando. Porém, na maioria das vezes, o que recebem são discursos que relativizam sua dor, que exemplificam situações piores, numa competição egoísta de “quem sofre mais”, como se as mazelas alheias pudessem aliviar o sofrimento e, de alguma forma, trazer conforto. Muito pelo contrário, ressalta uma fala carregada de insensibilidade, além da falta de solidariedade e empatia de seus interlocutores.

    Alexsandro

    (21 de setembro de 2020 - 5:42 pm)

    Artigo com o tema extramente importante, que nos faz refletir de dentro pra fora e ajudar a entender e enxergar o próximo através de novos ângulos.

    Meus parabéns Fabiane!

      Fabiane da Silva Eise

      (24 de setembro de 2020 - 4:51 am)

      Obrigada Alexsandro. Por um mundo menos egoísta e mais empático.

Deixe uma resposta